segunda-feira, outubro 09, 2006

Silêncio, silêncio, silêncio.

Tem a absoluta certeza de que trocar São Paulo pelo Rio valeu a pena. Um salto. O caminho de quem encontra sentido em algo que não está em si mesmo. Agora quer fazer parte destas cores, ganhar as ruas que não sabe o nome.

Acende um cigarro e fica admirando as luzes dos outros prédios da janela do seu quarto. Meia-lua de bandeira turca iluminando o rosto, o som só do rádio toca as paredes com Roberto e Erasmo. Faz um silêncio lindo no peito.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Amarelo da mulher 23 horas

Ela quer trepar tipo Táxi Driver. Puta que pariu. Me chupa e cospe esperma nos seios. Masturba com os olhos caramelo em carne viva. A vitrola toca uma porrada alta aqui no chão do apartamento.

Tomo na cara. Carla quer agora me ver gozar na mão dela. A avenida paulista abriga os primeiros raios do sol de quarta-feira.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Natália moendo carne

A menina chora atordoada. Alguém sempre diz que isso logo passa. O ódio parece com os olhos das garotas sentadas esperando a mesma sorte. Uma finalidade ou fatalidade escrota.

"Tudo fica bem" - Eles dizem agora e Natália odeia ouvir. Hoje o som da sala branca enlouquece pra evitar esse tipo de pensamento. Pronto. Foi. Acabou.

O ruído ainda é enorme. Ela força as mãos pequenas tentando esconder os ouvidos enquanto a pressão cai. Nunca se sentiu tão fraca (frágil?!) assim. Tudo é uma porrada de mão aberta, um furacão ao pé do ouvido.

- Não liga, amor. Eles dizem.

- Vão se fuder! Ela urra na ante-sala.

sábado, setembro 16, 2006

Laranjeiras - 153

Felicidade - Ela atravessa a Rua das Laranjeiras com uma sacola de compras na mão. Frutas, pão e pó de café.

Usa uma blusa branca e o jeans azul surrado que adora. Sorri por saber que o sol dessa tarde só mostra o sentido que a palavra faz na canção que ela cantarola enquanto caminha com o coração batendo acelerado.

Tudo ao mesmo tempo. Sorriso, pensamento, canção e um sonho vestido de calor verde-celeste. Escreve seu nome com os dedos na vidraça morta e úmida do edifício número 153.