Sexta-feira, Setembro 11, 2009

drunk love

subsolo. ela grita e xinga como se as palavras fossem só dela mesmo depois de saírem de sua boca. luz perfeita na escada, revide. os outros passam, reparam, pedem para que ele volte e continue a sorrir. ele sabe que vai voltar, mas vive a discussão até o último ponto. a noite era linda demais, os corações naquela hora já haviam estourado, e ele sentia que a cada frase estourava um deles.

subiu as escadas com a certeza de que falara tudo que estava engasgado, voltou para viver as músicas e o amor. naquele dia sabia que a festa iria vivê-lo, que ele não tinha nenhuma responsabilidade sobre seus passos e beijos. do lado de fora, a vida desmoronava, e as incertezas quanto ao futuro maximizavam-se. como se quisessem o futuro antes do presente, o dia seguinte doeu e dói até hoje.

naquela escada perfeitamente iluminada, os dois descobriram, de maneiras distintas, que o mundo é pequeno demais quando vive-se pelo depois.


abatimento no andar, no copo e na luz.

Segunda-feira, Agosto 24, 2009

Devirando-se

- O sentido da vida é afirmar a própria vida!
- O quê?
- Não deveria haver nenhum tipo de suspense sobre isso, não é segredo!
- Do que você tá falando?
- To falando do Nietzsche e dos Stones, do Spinoza e do Otis Redding, do Woody Allen e do John Coltrane. To falando dessa vida, caralho! Do Paul Thomas Anderson e do Gustave Klimt!
- hmmm...
- To falando do cheiro do teu perfume e daquele macarrão com creme de leite, daquela supernova de roupas de cama e do cheiro dos teus pés, do gosto do teu sovaco e da textura do teu queixo... To falando que o sentido da vida é ter sentidos para vivê-la. Inspira e expira. Olha e vê. Lambe e engole, escuta e chora. Fode e goza. Porque sem esperar o mundo abre-se num convite. "Dançar com os pés do acaso", deveriam haver mantras assim.
- Essa é alguma ocasião especial?
- É sim. Essa aqui é a ocasião do agora. Essa aqui é a nossa ficção. Somos tão grandes quanto podemos nos criar. Somos todo invenção, somos um fluxo, um desejo, somos tesão.
- Então somos deuses.
- Somos.
- Quais deles?
- Os que você quiser.
- Então somos todos.
- Sábia escolha.
- Você quer ser o quê?
- O que eu sou agora.
- Quem você é agora?
- Quem ainda não é.
- Tá ficando difícil...
- Tá bem, eu sou aquele que -(!)

A porta bateu, a janela rachou, o vinho se abriu. Derramados pelo o que eram, afundaram-se em si mesmos. Dizem por aí que, por duas semanas, não houve nenhum assunto mais debatido pela vizinhança.

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

plástico

ela sabe me trazer pro mundo. me enfartar e me tornar à vida. ela é especial e quando venta sinto seu cheiro. meu pau endurece ao pensar no que somos capazes de fazer sem o plástico. látex que me permite entrar e sair sem que haja o toque e que nunca bastou pra nós.

somos tato. mucosa na mucosa. é pau dentro e ela nem ousa pedir para que eu tire.

ela é vida. uma parede em branco a qual preciso decorar. meus melhores enfeites, minhas melhores palavras, meu sono mais pesado são para preenchê-la. para devolver as cores e texturas que ela me proporciona. ela é sexo limpo, é amor que rasga sem partir. somos um corpo bruto, indivisível e irretocável.

somos o corte seco. sem enfeites, nem palavras, muito menos látex.

Segunda-feira, Julho 27, 2009

cigarro

- o amor é como um cigarro.
- não entendi.
- a gente traga, sente-se bem e ele acaba.
- e o filtro?
- a gente joga fora e pisa em cima. depois a gente busca outro no maço.

Sexta-feira, Julho 24, 2009

à noite

eu já conheço suas curvas. seus beijos e gestos. seus momentos de riso e de choro. conheço você inteira. cada recorte, cada fotografia. seus desejos não me suportam, nossas verdades são embassadas. minhas mãos lembram das suas, do encaixe preciso. suas roupas estão na minha memória. até as que você usou nos dias que não nos vimos.

eu já vivi você toda nos meus sonhos. só neles. não interessa a realidade, o sonho sempre basta.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

haikai

de quatro. esperando com os cotovelos encostados no sofá, a pele amarela coberta daquele vermelho que só o sol carioca consegue imprimir no corpo, ela movimenta os quadris contra o meu pau e a velocidade com que enfio é proporcional a que bunda vem em minha direção. firme. os ruídos são baixos e a voz médio-grave, soluçando meu nome, pedindo pra desacelerar a entrada, sentir cada toque de pele, de vontade reprimida, casamento acabado, esquecido enquanto meu pau a penetra na meia luz do apartamento às 3:30 da madrugada, a vontade de ser fêmea outra vez, sexo molhado, ela fecha os olhos e esquece os problemas, como alguém que nada pra não pensar, batendo os braços repetidamente na água, sente meus dedos forçando com vontade o corpo contra o seu, empurrando todo o tesão que sinto ao ver aquela bunda de tantas masturbações, ali, mexendo, deixando meu pau sair devagar pra voltar ainda mais ereto, seco, vermelho.

ao fundo a música galopa no ruído das horas.

no vazio da sala sem móveis.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

curta metragem

Naquela noite ele não tinha se vestido pra nada que viria a acontecer. As unhas vermelhas perdiam a cor no quarto escuro e ele não podia afastar-se daquela cama. Era tesão no sentir tesão. Era a vontade pela vontade. Esqueceu-se do amor e do depois. Não podia sair dali, aquele era o momento das frases e confidências rasgadas. Não tinha sexo nem beijo, era pura entrega no quarto sem luz. Masturbação dos egos sem orgasmos.

Os orgasmos viriam depois, efêmeros e intensos como qualquer outro gozo.

Mas foi ali, no quarto onde não se via o vermelho, que o filme começou.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Quase 28

Faltando apenas dois meses. Ainda namoro um sonho verde celeste e a vida começa a mudar. (pra melhor)

Sexta-feira, Setembro 26, 2008

Metástase


Ela é meu anticâncer. Caminha dentro de mim, dá vida às minhas células. Dança na corrente sangüínea, deixa um rastro luminoso.

Quanto mais ela vive, mais se espalha. Quanto mais eu vivo, mais eu vivo. Living is living.

Já era, é metástase.

I'm way out, she's way in.

Domingo, Setembro 14, 2008

Dos bordados, firulas e outros adornos

"Pra sempre" é sempre metáfora. A exceção pra justificar minha regra é a morte. De resto, é tudo metáfora. Somos comparações, substituições de mundo, definições adornadas, dispersões caprichadas, não? Porque somos nós e somos todos; somos tanto...

"Pra sempre" não existe. Nunca existiu pra mim. Até agora. Metáfora. Essa coisa que temos costurado, esse entrelaçar tão delicado, tão nosso, essa colcha que nos abraça e nos deixa livres pra estarmos nus. Temos metáforas que nos cobrem. Somos todos.

Acordar derramado de bicos de peito e umbigos gigantes. Aos poucos vamos talhando ranhuras na pele por onde escorrem nossos (tre)jeitos, seus feitos, meus tentos. Somos centros e bordas. Como boas metáforas, bordados. Acordes arborizados, folhas cheias das nossas danças. Quando inteiros, somos ritmo, firula e melodia. Pacote completo. Certos, porque assim dizemos; metáforas porque assim sabemos. Somos como queremos, pertos.

Domingo, Setembro 07, 2008

Ela existe agora ou existirá na próxima Primavera

(Texto de Fevereiro de 2007)

Vou falar de alguém que não conheço. Ela tem olhos de paixão, tem a cor da paixão nos olhos sendo mais específico. Poderia se chamar Luiza se quisesse. Ou ter qualquer outro nome que me viesse à cabeça. Mora em um lugar que não conheço, tem os amigos que imagino, freqüenta lugares que só sei o nome. Mas ela existe aqui bem perto de mim. Eu acredito.

Seria a minha companheira para a vida? A mulher com a qual eu brigaria não por outros amores, mas por um café da manhã quente? A mãe de meus filhos? A mulher que contaria o dinheiro comigo? Ou riria também pela total falta dele? Seria ela vestindo aquela blusa amarela linda na fotografia? Ou seria no sonho?

Ela existe com olhares do tamanho dos árabes. Ela existe e é judia. Bailarina, Professora. Dividimos o pão agora ou talvez no futuro. Ela entende e tem ódio. Ela me ama e grita de raiva como alguém no corredor da morte. Pinta as unhas de um vermelho de fúria como Claudia me mostrou certo dia. Claudia talvez tenha sido a luz do que será essa mulher. Ou talvez essa mulher venha para mostrar que Claudia não passava de unhas coloridas.

Com ela tenho paciência. Compro frutas e livros. Cartazes soviéticos para enfeitar a casa nova. Atendo a todos os desejos da gravidez. Atravesso a cidade para ganhar um sorriso de quem ama com o coração. Converso e calo conforme a música toca no andamento dela. Será sempre quem me faz forte, homem, pai, amigo, irmão, amante. Enquanto faço com um sorriso a mulher, mãe, irmã e amiga também.

Acho que consigo entender isso tudo perfeitamente hoje. Ela também entende. Talvez leia isso e me ligue. Ou encontre comigo no meio da madrugada cantando uma canção escrita por mim ou por outro cara qualquer. Ou me escreva um texto lindo como a minha ex-mulher um dia escreveu. Ela existe e já chegou aos meus sonhos, agora para entrar na vida é só um pulo. De dimensão ou de estação.

Ela decide.

Sábado, Setembro 06, 2008

27

Hoje namoro um sonho verde celeste e a vida não precisa mudar.

Terça-feira, Maio 20, 2008

Auto-imunidade

Acho que você vai acabar nunca sabendo do que você faz aqui dentro, da minha substância inteira que se espreme e jorra no peito quando eu leio o teu nome. Você, autora das minhas crônicas diárias, que pinta e escreve, que beija e que suja os meus lençóis.

Tenho que parar de ler você nas fotografias que eu não tirei, nos poemas que eu nem sei escrever, no que eu nunca vou dizer. Eu tenho que parar. Me concentrar na minha respiração; inspirar, expirar e expurgar.

Quando você vai deixar de me inspirar?

Vou tentar me desintoxicar da tinta que você injetou debaixo da minha pele, vou deixar de escorrer você. Vou acender fogueiras, vou beber mais do teu líquido (ah se vou), serei humano, tocha. Em chamas eu vou acenar pra você fingido que é pro mundo inteiro.

E aí, quando só sobrar o essencial, o mínimo pra me deixar em pé, eu vou parar, porque as cinzas meus joelhos não beijam mais.

E o meu novo 'inteiro' será o 'intacto'. Serei pequeno, mas coeso. Morno, mas calmo. Serei em vão, mas são.

Queria acreditar que vou ser salvo da minha autopreservação.

Sexta-feira, Maio 09, 2008

"O tempo parou feito fotografia
amarelou tudo que não se movia."

Quarta-feira, Abril 23, 2008

A força de um inferno (2)

"É lenha, é fogo, é foda" - Chico Buarque

Eu sonhei muito essa manhã. Acho que os ultimos dias desaguaram em mim e eu me escorri. Nessa fase R.E.M. a sociedade Todo Poderoso-Capeta é forte. Uma dança de belzebus e potestades se arremessando na minha doce e confusa noção de vida, cuspindo suas crias oníricas na minha psiqué.

Havia brados, vontades de revolução, havia caminhos e havia você.

A primeira definição para 'demônio' do dicionário é de uma entidade da mitologia grega, uma espécie intermediária entre o natural e o divino. Eis você, a dona do silêncio cruel, das reações demoníacas (escolha um sentido). Escolha. É tudo o que a gente tem, não? É o nosso tormento, ou o meu.

Eu não sei. O cliché deve ser verdadeiro. Dizem que a grande artimanha do tinhoso foi convencer a humanidade de que ele não existia. Te reconheço pelo cheiro, pelo sabor - "so bitter and so sweet" - e pelo entrelaçar de pernas.

Mas você existe?
Não faço idéia, o inferno é uma caminhada sem referenciais.

Quarta-feira, Abril 16, 2008

Ataque Cardíaco

Ele olha o teto, a televisão, outra vez o teto. O telefone toca e ela diz que está lá embaixo, na portaria. Mesmo parecendo improvável, a vontade de descer pelas escadas chega a passar pela cabeça, o elevador demoraria muito. Ele respira, espera e segue. Ela veste-se de negro e não faz idéia do sentido todo que isso faz no contexto desse encontro inesperado, mais pra classe do que luto, bem mais, na verdade. Eles beijam, parecendo cada vez mais acostumado, lento, certo, estreito, circunstancial ou mesmo só a sensação de encontrar o lugar cativo na boca do outro.

Ela não consegue pronunciar algumas palavras exatamente, teor alcoólico alto. Ele esconde o sorriso largo dentro da carapuça de homem centrado, ela sabe como se colocar e mostra: ‘meu filho, agora é agora’ e ele, sem duvidar, aceita deixando o peito abrir ainda mais para qualquer coisa que ela diga. Com “r” completo ou não. A Cinemascope corta para o apartamento em que o rapaz recolhe livros e jornais do chão, com pressa, pensando que aquilo algum dia já aconteceu em um sonho rápido, desses que a gente só consegue sonhar no final da madrugada, e felizmente, não esquece com facilidade. Outro corte para a portaria do prédio, ela ouvindo música enquanto espera, cantando junto e sem querer transformando tudo em trilha sonora, Verve, vazando dos fones de tão alto, o porteiro com sono, perdido nos seus dias parecidos e ela já querendo subir, com a música na cabeça, para seguir a noite azulada.

O rapaz desce em close-up e sorri quando percebe que ela espera quase abraçada a uma garrafa de cerveja, ele quer dizer a ela que não sabe nem como mostrar que está feliz, que anda louco, querendo levá-la pra qualquer lugar novo, qualquer rua escura, clara, nublada, depois da chuva, com cheiro de chão, gente andando sem garoa, ou com, quer abraçar, atravessar avenidas abertas com a noite acabando, olhar letreiros coloridos e só enxergar a vontade de encontrá-la logo, ou olha-los com ela, sempre, a qualquer hora.

Como é muita coisa pra pouco tempo, ele tenta só beijar seu rosto, o maior número de vezes possível.

[continua]

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Mulheres Invisíveis (3)

Carros, chuva, distância, tempo. O frio chegando em Abril no Rio de Janeiro e pensando em ir para São Paulo, logo. Ele, o frio, sabe que os passos são sempre em direção a algum lugar. A cidade iluminada parecendo o natal, ela andando com a sensação estranha do novo, do dia que vem chegando lá no céu coberto de poluição e nuvens. Os dois bem Bela Cintra-esquina-quase-Augusta, o Metrô, os ônibus começando a aparecer no horizonte largo da maior avenida do país, os letreiros mudando de cor, eles compram cigarros e bebem refrigerante no gargalo mesmo, com sede dos passos transpostos até aqui. Ela de casaquinho cinza, seleção de cenas, número oito, a mais bonita da película.

Sábado, Abril 12, 2008

A trip to my yard

It’s nothing fancy, just a little couch and me.*

Um pedacinho aqui do meu lado, um cheiro, um aconchego. Uns cantos; os meus, os seus e os que eu tento tirar do violão. Convido para a coberta, não tenho tanto a oferecer. Um tanto de mim, compacto num cômodo, cheio de ti. Preparo alguma coisa pra comermos – não que eu já tinha qualquer destreza gastronômica, mas porque estou sempre me criando pra você e essa é a obra de hoje.

A noite (ou o dia?) decorre como esse texto, movimentos espontâneos sem pressa, um parágrafo de cada vez. E como essas palavras, o tempo jorra camicaze sem saber quando você vai se alarmar com o que sentes e enclausurar nossos momentos nos compartimentos da sua incerteza. E nos picotar e me mandar embora - mesmo esse quarto e esse texto sendo meus - alegando a não substância dos teus gestos, gritando que me amar não é coisa que essa mulher faça, ou queira fazer, e que nessa quem vai me foder sou eu.

É bom dizer: eu não acredito.
Vai ter que se esforçar um pouco mais do que isso.

* Jamie Cullum - My Yard

Terça-feira, Abril 08, 2008

Correr Perigo, Comigo.

Você talvez não entenda, acho que não dá pra entender mesmo, ninguém entende. Sei lá, é só vontade de te beijar de manhã vendo você acordar bonita desse jeito que você é, ou te abraçar no cantinho da cama antes de dormir, ou tomar um café junto assistindo televisão depois do trabalho no sofá da sala, ou ficar feliz em transar com a minha mulher, por simplesmente ser a mulher que eu escolhi, que eu quero, que eu admiro, sei lá, são milhões de motivos que eu perderia quase todas as horas dessa noite e desse dia de sono dizendo. Não deveria nem escrever isso aqui, já passou da hora de dormir, mas é foda, queria ter como conversar com você sempre, falar isso que escrevi aqui e mais uma porrada de coisas, poder dizer tudo o que eu acho do jeito mais simples. Mas enfim, só pra dizer que você é linda mesmo, com o sorriso mais bonito, que eu reparo cada detalhe em você, não adianta, que suas unhas ficam lindas quando têm cor, que a roupa que você estava usando ontem só te deixa mais bonita, e com ela posso ver melhor a sua pele, a cor da sua pele exatamente, que é linda também, tudo, tudo, tudo mesmo. Olhos, boca, cor da boca, cor dos olhos, a forma como você encara as coisas, o seu jeito de ser sempre diferente de mim, mas não desigual, o quanto você pode ser inteligente, esperta e até dominar o mundo se quiser. Sei lá, só mesmo pra dizer que você estava linda ontem e é linda todos os dias. Sempre. Vou dormir agora antes que passe da conta. Beijo, beijo.

Mulheres Invisíveis (2)

Elena disse que a vida era assim e foi. Tem problemas pra sentir as coisas, se injeta dormências. Gosta de frutas de gosto explosivo, mas engole com tanto cuidado que só sobram faíscas. Tem um sorriso de abrir o Mar Vermelho e mamilos em busca de devotos. A única coisa que ela sabe é onde mora.

***

Sabrina nasceu do sexo casual entre o Etna e A Fantástica Fábrica de Chocolates. Fala três idiomas, eu nunca entendi nenhum deles. Nos comunicamos pela escala Richter. Além disso, seu corpo sempre foi muito digno de minhas erupções particulares. Seu sabor vem de dentro, escorre pra vida sem nenhum pudor. Sempre guarda o melhor pro fim.

***

Liana é linda que nem o início do planeta. Ela traz à tona meus instintos paleozóicos. Tem a gravidade de um buraco negro. Ninguém nunca soube ao certo se ela existiu ou se o impacto foi da mudança de uma era. Foi uma fenda e um meio. Liana sempre foi uma promessa.